O joyful dressing voltou a ocupar as conversas de moda. A ideia é simples: vestir o que da prazer com cor, brilho, textura e volume. Nesta estação, as passarelas confirmam o movimento com o roxo intenso em bolsas, sapatos e roupas, o cetim ocupando o lugar do linho como o tecido de luxo do momento, e o veludo e o brocado voltando à noite. 

Depois de anos de bege, quiet luxury e guarda-roupa silencioso, a pergunta aparece quase sozinha: saímos do minimalismo direto para o maximalismo? 

Talvez. Mas essa pergunta é mais velha do que parece. 

A moda sempre andou em ciclos. O excesso dos anos 80 abriu espaço para o corte seco dos 90. O logo gritado dos anos 2000 cedeu lugar à descrição de 2010. Cada geração reage à anterior, e o pêndulo vai de um lado ao outro. Só que nada volta igual. O maximalismo de agora não é o dos anos 80: ele vem mais consciente, mais editado, mais preocupado com durabilidade. O que volta sempre volta revisitado, filtrado pelo tempo que reaparece.

Nesse vai e vem, uma coisa fica de fora: o estilo pessoal. O  calendário das passarelas é rápido por natureza, porque precisa ser. O estilo de alguém não funciona nessa velocidade. Ele se constrói devagar, com repetição, com escolhas que dão certo e outras que ensinam. É por isso que quem tem o próprio estilo bem definido não precisa se perguntar, a cada estação, se está correspondendo ao que está em alta. 

Isso não quer dizer ignorar a tendência. Quer dizer ter uma forma própria de interpretá-la. O roxo da estação pode aparecer num vestido inteiro para uma pessoa e num único detalhe de acessório para outra. O cetim pode ser a noite para alguém e a camisa de terça-feira para outra pessoa. As duas estão dialogando com o momento, cada uma a partir de si. A tendência vira matéria-prima, não uniforme.

E talvez seja aí que o joyful dressing faça mais sentido. A alegria de se vestir não está no volume de cor nem na quantidade de informação no look. Está no reconhecimento. Existe uma alegria muito específica em vestir algo e sentir que aquilo é seu, seja um vestido estampado ou uma camisa branca impecável. Para uma pessoa minimalista, a alegria pode estar no caimento perfeito de uma peça neutra. Isso também é joyful dressing, só que sem barulho. 

Aqui na VAMA, a gente acredita nisso desde o começo. Nossas peças não nascem para responder a passarela da vez, mas para durar no guarda-roupa de quem se reconhece nelas. Quando o ciclo virar de novo, e ele vai virar, elas continuam fazendo sentido. 

Então, do minimalismo ao maximalismo: será? Pode ser que a moda vá. Você não precisa ir junto. Olhe para o que está em alta, experimente o que te chama, repasse o que não conversa com você. Seu estilo não precisa ser corrigido a cada estação. Só precisa ser mantido.